Um Voltou
Iniciamos uma caminhada em família e resolvemos ir beirando o mar, pelos caminhos de Anchieta. Ainda nos primeiros minutos da caminhada, enquanto comentávamos sobre a história da cidade, um fato aconteceu, aqui se faz necessário um corte para falar sobre a história de um jesuíta.
Chegada ao Brasil
O Padre José de Anchieta, nascido em Tenerife, nas Ilhas Canárias, na Espanha em 1534. Entrou para a Companhia de Jesus, os Jesuítas, em Portugal, foi um padre jesuíta conhecido como o Apóstolo do Brasil. Ele chegou ao país em 1553, muito jovem, com apenas 19 anos, para catequizar os índios, escreveu a primeira gramática da língua tupi e Participou da missa de fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga em 25 de janeiro de 1554, local que deu origem a cidade de São Paulo. Usou o teatro, a poesia e a música para ensinar a fé cristã aos indígenas. Padre José de Anchieta é conhecido como o Apóstolo do Brasil. O Papa Francisco o declarou santo em 2014.
Dentre suas obras mais conhecidas destacam-se o Poema à Virgem, escrito durante o tempo em que esteve refém dos indígenas na Confederação dos Tamoios, e Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil, uma gramática sobre a língua tupi utilizada na missão jesuíta.
O Poema à Virgem é composto por mais de cinco mil versos. José de Anchieta teria decorado todos os versos, escritos na areia da praia de Ubatuba, e somente meses mais tarde os transcreveu para o papel em São Vicente, primeira vila do Brasil. O conjunto de sua obra faz com que José de Anchieta seja considerado um dos fundadores da literatura brasileira.

Os Caminhos do Padre José de Anchieta
Anchieta faleceu em 9 de junho de 1597, na cidade de Reritiba (atual Anchieta, no Espírito Santo). Foi canonizado pela Igreja em 2014 e declarado co-padroeiro do Brasil em 2015. Uma importante rodovia também tem seu nome, Rodovia Anchieta, que liga a capital ao litoral e abriga o maior corredor de exportação da América Latina em direção ao Porto de Santos.
Os indígenas chamavam Anchieta de caraibebé (“homem de asas”) porque ele vencia longas distâncias a pé pelas matas com enorme rapidez para catequizar e mediar conflitos. Os caminhos do Padre José de Anchieta remetem a duas grandes rotas históricas e de peregrinação no Brasil: os Passos de Anchieta, no litoral do Espírito Santo, e os Caminhos de Anchieta, que ligam o litoral paulista ao planalto e à capital.

O Encontro na Caminhada
Voltando para nossa história, no inicio da caminhada, ainda nos primeiros minutos, enquanto conversávamos e seguíamos pelos caminhos de Anchieta, junto à praia havia um homem que aparentemente se preparava para pescar. Outro passava correndo pela calçada. De repente, ouvimos bem baixinho: “Socorro”, “Me ajuda, me ajuda!”. Era aquele homem, o pescador, curvado e se movimentando muito devagar. Dissemos a ele que iríamos descer a rampa para ajudá-lo.
Perguntamos o que estava sentindo e o que precisava naquele momento. Com voz muito baixa, pediu que tirássemos suas coisas dali, dizendo que já havia tomado o remédio e logo ficaria bem. Então colocamos os materiais de pesca e a bicicleta dele em um lugar mais alto, pois a maré estava subindo e já molhava o local em que estava. Sentou-se ao lado de seus pertences. Questionamos se iria ficar bem, e ele respondeu que sim, reafirmando que havia tomado seu remédio, agradecendo nossa ajuda.
A Gratidão
Continuamos nossa caminhada e subimos a ilha. Algum tempo depois, já no topo, esse homem nos encontrou em sua bicicleta, com fisionomia e voz muito melhores do que quando o vimos pela primeira vez. Aproximou-se dizendo o que tinha em seu coração: “Vou atrás deles para agradecer”, pois nos havia visto subindo a ilha. E continuou: “Salvaram a minha vida!”, com alegria na voz e no rosto, uma alegria que não cabia no peito.
Ofereceu e insistiu para nos pagar um café ou uma água, pois queria retribuir a ajuda. Dissemos que estávamos felizes por vê-lo bem e recuperado, que não precisava pagar nada, e nos despedimos. Ele, em sua bicicleta elétrica, deu meia-volta e desceu a ilha.
Seguimos e procuramos um lugar para tirar fotos daquela vista espetacular. Ao contemplarmos o mar e tudo ao redor, veio à minha mente a atitude de gratidão daquele homem. O interessante foi perceber que segundos depois todos nós tivemos esse mesmo pensamento, sobre a gratidão.

Reflexão
E quando comentávamos o quanto estávamos admirados pela atitude de gratidão daquele homem, Deus me fez lembrar dos dez enfermos que Jesus encontrou no caminho e que foram curados. Indo embora, a curta distância, apenas um resolveu voltar para agradecer e louvar a Deus pela ajuda e pela cura alcançada. Um voltou. (Lucas 17:11-19)
Estamos sendo gratos por tudo o que Deus nos tem dado? Pelas curas que vivemos? Pelos livramentos? Pela presença de Deus em nossas vidas? Temos fé suficiente para agradecer? Que esse exemplo de gratidão seja renovado em nossas vidas. Isso me fez refletir e reforçar em meu coração que em tudo devemos dar graças.
“Tira do meu coração e do meu espírito a insegurança, a intranquilidade e o medo, fazendo-me viver na serenidade e na paz.” (Padre José de Anchieta)






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